segunda-feira, 17 de agosto de 2009

As horas e depois

Desconfortável, eu vejo horas passarem. Uma após outra. Em guerra com tudo o que estou sentindo e contra tudo o que sou. Eu não sou nada. Nada além do que qualquer um pode ser. Qualquer um! As horas passam pra todo mundo. Mas para a maioria é confortável ver o tempo esgotar, distrair-se em brumas, se esvair e cair como chuva. É cômodo, em vidas quentes e radiantes. É cômodo, estável, leve e radiante. Eles não sabem o que é amar. Apenas, apaixonam-se infantilmente pelas coisas da vida, se apegam a banalidades, emudecem o seu ser com sorrisos. Simples assim!
Amar requer muito mais, é um desconforto acolchoado. Uma comodidade irritante, um destempero e só. É ser só. Impossível de ser adequadamente correspondido. Ser e não ser resignado ao ser amante, indo contra e favor do que se ama. Assim, horas passam dolorosamente, enquanto deitada sinto que minhas costas adormeceram sobre o colchão e meus braços formigam sem sangue para circular. Eu chorei por horas aquele dia e ainda sinto escorrer lágrimas quando me lembro de tudo que me deixou assim. Ela vai morrer, ela tem que morrer. Virgínia tudo isso a machuca muito. Não morra, deixando-a mais viva. Viver um livro é crueldade!

domingo, 22 de março de 2009

Simples assim

Voltei ao simples, no layout, no pensamento, na língua, na máscara.
Não vou dizer que estou de cara limpa, pois seria hipocrisia. De cara limpa ninguém NUNCA está.
Mas voltei aos traços simples, dos desenhos que faço e ficam guardados numa pasta. Rascunhos que nunca irão sair de lá para ir muito longe, eu sei.
Não posso dizer que a partir de agora será fácil escrever... direi que será simples.
Sei que há um imenso abismo entre os dois conceitos e que confundimos muito um com o outro.
Sei também que cometemos muitos erros ao tentar acertar. E o erro de falar é inevitável, como disse Goethe uma vez - não com as mesmas palavras – basta abrir a boca e já se diz besteiras.
E foi tudo o que eu disse nos últimos tempos tentando dizer alguma coisa que tivesse nexo para alguém, porém, tudo que dizia só servia a mim mesma.
E como aqueles rabiscos do maternal, minhas publicações no antigo blog eram sombras nebulosas que só faziam sentido para mim.
Por isso não mereciam ser publicadas. Reservei um caderno pra isso.
Vez ou outra, eu posso até voltar a publicar alguma coisinha assim indefinida, tortinha e desajeitada,pois é assim que sou. E não posso tentar escrever como outra pessoa. Não mais.
(Isso se aproxima de um introdução e autodefinição para este momento do blog)




Ahhh... um amigo encontrou um programa na futura que disse ser a minha cara, porque vivo falando de blog pra lá e pra cá... tomara que ele ache o nome e me repasse, não é Lêlê!


Texto e fotografia: Heloize Rêgo

domingo, 1 de março de 2009

Happy Together




Créditos pelo Desenho: Pablo Bruno